Dois anos longe de casa.
Friday September 25, 2015 | Pessoal

Dia 12 de setembro fez exatamente 2 anos que saí de casa e mudei pro outro lado do mundo, praticamente. E esse é um post pessoal, não de dicas de viagem e/ou intercâmbio, hehe.

No começo de 2013 planejava morar na Irlanda, mas não aconteceu o que eu planejei então arquivei meus planos para 2015. O fato é que conheci meu atual marido em junho daquele ano, e em setembro eu estava de mala pronta pra ir embora. Sim, foi rápido, mas se não tivesse sido assim, não teria sido nunca. Fiz a coisa certa :)

Eu estava com medo, sim. Nunca tinha saído do Brasil. Deve ser muito frio, o que vou fazer? Não tenho casacos! E se ninguém gostar de mim? Vou ficar sozinha pra sempre? E se não der certo com o namorado? E trabalho? E dinheiro? Como eu vou dar tchau pra minha família?
Tive muitos medos, mas todos desapareceram antes mesmo de entrar no avião para a jornada de 17 horas. A única coisa que me incomodou muito durante certo tempo foi a saudade dos meus pais.

Meu primeiro dia na Irlanda

Meu primeiro dia na Irlanda

Depois de 7 meses longe eu não tive mais crises de choro por causa de saudade. Parece terrível, mas gentilmente a vida me ensinou a conviver com o sentimento de falta, e de tanto fazer força para superar a dor que aparecia, ela não deu mais as caras. Continuo sentindo e sendo nostálgica, mas a dor se foi.

Apesar do medo, eu tinha em mim a ânsia de “encontrar minha casa”, e mais do que ninguém, meus pais sabiam que eu iria naquele avião, e nunca mais chamaria o litoral de São Paulo de “minha casa” novamente. Durante a vida, você precisa abrir mão de algumas coisas e pessoas que você julga importante, e abrir mão de tudo para procurar o seu lugar no mundo, sua verdadeira casa, é um nobre motivo, não?
A cidade que você nasceu, a casa que você sempre morou, não é necessariamente o lugar o qual você pertence. Bom, por questões de sorte pode até ser, mas você nunca vai saber realmente até que você tente encontrar um bom lugar fora de lá.

O champagne de comemoração no dia em que meus documentos italianos ficaram prontos, e a vida da minha casinha lá na Toscana :)

Desde abril desse ano (2015) estou morando em Praga, na República Tcheca, e sinto que estou finalmente muito perto de encontrar o lugar ideal pra mim, e isso me deixa muito feliz. Toda essa experiência me ensinou muitas coisas sobre mim e sobre a vida. Aprendi que, sim, eu posso tomar decisões sem elas virarem um martírio, aprendi o quanto sou paciente e o quanto posso elevar o meu limite para esperar as coisas acontecerem, provei pra mim que um pouquinho de esforço me faz aprender muitas coisas e mil outras coisas, como auto-conhecimento.

A minha “longa viagem” ao redor do mundo tem sido perfeita ate então. Conheci muitos países, pessoas, lugares incríveis, e não vai parar por aí.
Depois da Irlanda, Itália e atualmente República Tcheca, aposto que meu próximo destino será ALEMANHA, e bom, chuto que vou me encontrar lá mesmo, e passar o resto dos meus dias comendo pretzel tomando cerveja de trigo na varanda de casa :)

Minha casa "atual", Praga / CZ

Essa é minha casa atual. Um dos pontos mais bacanas da cidade de Praga, a Naplávka – calçadão que pega uma parte do rio que corta a cidade, com bares e shows quase toda semana.

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Sobre o famoso Edward e suas tesouras.
Thursday September 17, 2015 | Cinema

Eu era pequena quando assisti a esse filme pela primeira vez, devia ter entre 6 e 8 anos de idade. É claro, na época não passava de um filme comum – aos olhos inocentes e sem dissernimento de uma criança, é um longa “legal e diferente”. Numa noite ociosa da semana passada decidi vê-lo novamente, e finalmente assimilei a delicadeza e pureza que é retratada alí.

Esse filme é a melhor metáfora cinematográfica que já vi, o personagem é como aquele jovem super estranho da sua sala do 2EM que sempre faz os trabalhos sozinho.

Edward Scissorhands

A sociedade é algo enorme e assustador, e o personagem ao ser “raptado” de seu mundo por Peg passa por todos aqueles problemas que alguém tido como diferente passa também. É muito profundo e aflitivo o comportamento de Edward quando ele abandona seu mundo e tenta ser incluso na cidade a qual, de certa forma, ele sempre fez parte. É assustador também o comportamento das pessoas que ficam sabendo da existência dele, o quão são interesseiros e tentam o comprar com carinhos e até comida (!).

Edward Scissorhands

Devo dizer que Johnny Depp foi maravilhoso nesse papel! Toda a solidão e tristeza do personagem é visível naquele olhar vazio que espera compreensão e amor. Edward é um monstro amável, sincero, que compreende o que são sentimentos, mas sempre foi sozinho, e por isso não sabe conviver em sociedade, sociedade esta que é patética, feliz, e colorida demais pra ele.

Burton, sobre o filme:

“Ele contém temas que eu posso relacionar a mim mais do que qualquer outro filme que fiz, com as tesouras, há algo sobre o tema de alguém não ser capaz de tocar ou amar. Eu só queria um personagem assim – visualmente, ele é, internamente, externamente. É uma representação visual do que existe por dentro… Há algo nele que é muito verdadeiro pra mim.”

“Edward mergulha em memórias pessoais e todos os tipos de temas emocionais, culturais e sociais que sempre me interessaram… A vida é um misto de tudo: os bons, os maus, o escuro, o claro, o engraçado e o triste. É uma grande massa de emoções conflituosas e não é nunca um único caminho direto.”

O cabelo bastante parecido com Robert Smith (The Cure) e sua pele pálida simbolizam o personagem por completo: abandono e confinamento. Suas cicatrizes causadas pelas tesouras são o símbolo do problema em adaptação ao sistema normal do mundo.

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Em dois momentos do filme eu quase desatei a chorar. É tudo muito triste e de uma forma ou outra me identifiquei um pouco com o personagem e como ele se sentia em relação a esse mundo que ele não conhecia.

– Good bye
– I love you

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